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Quem determina os conteúdos que constituem um manual escolar?
Cabe ao Ministério da Educação definir os conteúdos programáticos de cada disciplina/ano,
embora cada editora adopte a abordagem que acredita ser a mais eficaz na sala
de aula. No processo de criação de um manual escolar, recorre-se a investigações
e processos de experimentação exaustivos que envolvem os alunos e grupos de
trabalho, no sentido de determinar os conteúdos que a obra terá de integrar.
Depois, com o saber e a experiência de ensino dos autores, da equipa editorial
e dos consultores científicos e pedagógicos, os conteúdos são elaborados, tendo
em conta o nível de escolaridade a que se destinam, a inclusão dos conceitos
básicos que os alunos devem aprender e a sua adaptação a diversos estilos e
métodos pedagógicos, de modo a permitir um ensino e uma aprendizagem eficientes.
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Quem escreve os manuais?
A elaboração de um manual é, sobretudo, um trabalho de equipa, orientado pelas
directrizes programáticas, definidas pelo Ministério da Educação, para cada
disciplina e ano de escolaridade. É neste contexto que autores, especialistas
e outros profissionais concebem um projecto de manual, definem a metodologia
a adoptar e produzem o original. As editoras reúnem equipas de técnicos editoriais,
revisores, consultores científicos e pedagógicos que avaliam o original apresentado,
na perspectiva do rigor científico, da adequação da linguagem e da abordagem
pedagógica ao nível de ensino correspondente, bem como da sua conformidade com
o currículo oficial.
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Porque ocorrem erros?
Antes de mais, é importante esclarecer que a edição de
livros escolares é um processo extremamente complexo. Todas as páginas
de uma obra passam por muitas mãos, desde autores, editores, revisores
e consultores científicos a designers, paginadores, ilustradores e desenhadores,
entre outros intervenientes.
Este processo permite uma revisão profunda e detalhada dos textos e dos
elementos que os ilustram ou acompanham - mapas, tabelas, gráficos, equações
e fórmulas. No entanto, ainda assim, verifica-se, por vezes, a existência
de alguns erros.
Normalmente, os utilizadores dos livros comunicam três tipos de erros.
No primeiro grupo incluem-se os erros ortográficos, que muitas vezes,
podem resultar da ocorrência das chamadas gralhas.
No segundo grupo encontram-se as questões relativas à exactidão
dos dados. Estes erros são muito raros em manuais escolares, dado que
qualquer informação, antes de ser incluída numa obra, é
sempre verificada e confirmada junto das mais diversas fontes.
Frequentemente, também se verifica que aquilo que aparece como um erro,
é apenas uma incorrecção devida a falha na impressão,
como, por exemplo, a troca de algarismos numa data ou a solução
para uma questão ou problema indevidamente colocada.
O último grupo engloba tudo aquilo que pode ser reportado como erro mas
que, na verdade, tem apenas a ver com diferentes interpretações
dos factos. Tomemos como exemplo as diferentes interpretações
que existem em torno do episódio do Tratado de Tordesilhas. O Tratado,
celebrado entre D. João II, rei de Portugal, e os Reis Católicos,
em 1494, estabelecia a divisão do mundo em duas zonas de influência,
uma portuguesa e a outra espanhola. A assinatura do tratado seria o culminar
de um longo processo negocial entre Portugal e Castela pela posse das terras
descobertas. Há quem defenda que existia uma política de sigilo
por parte de D. João II, que saberia da existência de novos territórios
na zona de influência portuguesa, mas há quem entenda que o acordo
nasceu sem qualquer suspeita do que estaria para lá dos limites definidos.
Episódios como este, objecto de diferentes leituras, poderão suscitar
alguma controvérsia junto do público que utiliza os manuais.
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Como são corrigidos os erros detectados?
A equipa editorial envolvida na edição de um manual escolar procura,
logo na fase inicial do processo de execução gráfica, detectar
e corrigir eventuais problemas no campo dos conteúdos, com vista a que
as primeiras provas com texto e imagens saiam o mais perfeitas possível,
mesmo que não sejam ainda as versões definitivas do livro.
O processo de controlo e verificação da qualidade do manual continua
após estas primeiras provas. Revisores e consultores científicos
analisam a obra detalhadamente, verificam cada referência, cada elemento
ilustrativo, e propõem eventuais correcções ou alterações.
É também na fase de produção que as associações
de professores, sociedades científicas e outras entidades devidamente
credenciadas contribuem com sugestões de alterações ou
correcções. Todos os erros identificados ao longo deste processo
são corrigidos e os manuais seguem para impressão e posterior
distribuição nas escolas.
Se, apesar de tudo, durante a utilização dos mesmos por parte
de professores e alunos, forem detectados erros que tenham escapado às
anteriores revisões, a respectiva correcção é introduzida
na reimpressão seguinte.
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Por que razão não são os erros corrigidos?
Todos os erros são sempre corrigidos. O processo é contínuo e inicia-se imediatamente
após a sua detecção, embora exija um determinado tempo de execução. Mas todos
os erros são corrigidos. Verifica-se, no entanto, e com alguma frequência, que
quem detecta o erro e alerta para a sua existência acaba por não confirmar se
o mesmo foi corrigido, mantendo a percepção de que o erro persiste e que não
houve correcção.
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Por que razão não são as correcções feitas mais rapidamente?
As editoras introduzem as correcções com a maior brevidade possível. No entanto,
há factores que condicionam a entrada no mercado das edições escolares, como,
por exemplo, o calendário escolar ou o ciclo das adopções de manuais. Por isso,
embora a introdução das correcções esteja assegurada, ela só irá reflectir-se
numa reimpressão posterior.
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Porque não recorrem as editoras à utilização de ferramentas de correcção
ortográfica e verificação linguística e a tecnologias que possibilitem a confirmação
dos dados inseridos num manual escolar?
A indústria editorial escolar investe continuamente nas mais modernas tecnologias
e recorre a correctores ortográficos avançados, mas há questões que a tecnologia
ainda não consegue solucionar. O trabalho de criação e edição necessário à elaboração
de um manual escolar requer uma intervenção que nenhum sistema automatizado
consegue substituir. Tomemos como exemplo a frase: "Tem a tenção arterial alta"
- qualquer programa de verificação ortográfica e gramatical consideraria esta
frase correcta, mas só uma pessoa pode concluir que ela contém um erro ortográfico
e uma troca de conceitos.
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Como é possível que ocorram erros se os manuais escolares são elaborados
por especialistas?
Embora as editoras confiem nos autores e nos especialistas com quem colaboram
na edição de manuais escolares, porque o processo de edição
é extremamente complexo e moroso, reconhecem que podem ocorrer erros.
Os editores são os primeiros interessados em promover os melhores índices
de qualidade das obras que destinam ao ensino, procurando eliminar uma indesejável
ocorrência de erros. Por isso, reconhecem também que, neste processo,
a colaboração dos leitores que utilizam os manuais é indispensável.
Assim, se a detecção de qualquer deficiência for comunicada
à editora, isso permitir-lhe-á aperfeiçoar os materiais
educativos que produz.
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Adaptado pela Comissão do Livro Escolar da APEL, a partir do texto original no site da Association of American Publishers – EUA.
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